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terça-feira, 25 de novembro de 2008

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Equinócio de Outono



"Vai-te ao longo da costa discorrendo,

e outra terra acharás de mais verdade,

lá quase junto donde o Sol ardendo

iguala o dia e noite em quantidade."




Lusíadas,II,63.


terça-feira, 10 de junho de 2008

Povo Lusitano



Óh! destemido povo LUSITANO
Que te impuseste aos romanos
Resististe aos castelhanos
Expulsaste os árabes
Venceste batalhas aos espanhóis
Uniste um território
A que deste o nome de PORTUGAL

Aventuraste-te em caravelas
Por oceanos longínquos
Venceste ventos e marés
Encontraste povos desconhecidos
Deste a conhecer a estas gentes
Que os povos devem ser unidos

Tua história tem sido abafada
Por outros países que te seguiram
Apagando teus navegadores
E colocando o acaso de Colombo
Como o grande descobridor

Quem não é ignorante
Não se deixará iludir
Por propaganda tão ultrajante
Que lhes querem incutir
Camões deixou bem escrito
A epopeia do teu povo
Quem quiser toda a verdade
Deve-o tornar a ler de novo

Prometemos-te povo LUSO
Restituir o mérito e a vitória
E contar a verdade ao mundo
Contra os que te quiseram fazer mal
Recordando a tua História
Em nome de Portugal


quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Não sei quantas almas tenho...

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: Fui eu?
Deus sabe, porque o escreveu.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Gárgulas Nas Árvores

A luz, dos postes de iluminação das ruas
Passa por entre as parcas folhas das árvores nuas
Numa noite sem lua
e eu vejo
Gárgulas Nas Árvores.

No céu, as nuvens correm, apressadas
Como se até elas, assustadas
Soubessem o que vejo agora
Gárgulas Nas Árvores.

O vento sopra, assobia
Uma infernal melodia.
Sopra, assobia, avisa: não olhe pra cima.

Súbito, - um clarão
Relâmpagos na escuridão.
E o vento dança macabra as folhas do chão.

Gárgulas - mitológicas figuras grotescas de pedra
Onde nelas o Mal se integra
E, entreparadas nos galhos retorcidos das árvores,
Dessas simiescas e sinistras criaturas feitas de mármore,
Estão silenciosamente a esperar
O momento certo para atacar e matar,
A vítima certa que por debaixo delas passar.


Poema de: Fernando Romano Menezes

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Era uma vez...


Um grão de areia que queria conhecer todo o deserto…


Uma gota de água que queria conhecer todo o oceano…

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Poema de Inverno















Mas que frio que esta hoje!
Este frio de um cabrão,
Fico gelada desde o pé
Até à ponta da mão!

Ò frio vai-te embora,
Que eu aqui não te quero,
Só vens é chatear
Já dizia o Antero.

O melhor é esperar pela Primavera,
Quando o tempo tiver mais quente,
E então logo faço outro poema,
Um poema mais decente!



Xx -Isto surgiu de uma brincadeira, mas eu achei piada por isso pus aqui heheh, são os efeitos do frio =p -xX

sábado, 27 de outubro de 2007

As rosas amo dos jardins de Adónis


As rosas amo dos jardins de Adónis,

Essas volucres amo, Lídia, rosas,

Que em o dia em que nascem,

Em esse dia morrem.

A luz para elas e eterna, porque

Nascem nascido já o Sol, e acabam

Antes que Apolo deixe

O seu curso visível.

Assim façamos nossa vida um dia,

Inscientes, Lídia, voluntariamente

Que há noite antes e após

O pouco que duramos.



-Ricardo Reis {Fernando Pessoa}

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio














Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e nao estamos de maos enlaçadas.
(Enlacemos as maos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e nao fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as maos, porque nao vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixoes que levantam a voz,
Nem invejas que dao movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagaos inocentes da decadencia.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as maos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.


-Ricardo Reis {Fernando Pessoa}

sábado, 6 de outubro de 2007

O Corvo e a Raposa


É fama que estava o corvo
Sobre uma árvore pousado
E que no sôfrego bico
Tinha um queijo atravessado.

Pelo faro, àquele sítio
Veio a raposa matreira,
A qual, pouco mais ou menos,
Lhe falou desta maneira:

- Bons dias, meu lindo corvo;
És glória desta espessura;
És outra fénix, se acaso
Tens a voz como a figura.

A tais palavras, o corvo,
Com louca, estranha afouteza,
Por mostrar que é bom solista
Abre o bico e solta a presa.

Lança-lhe a mestra o gadanho
E diz: - Meu amigo, aprende
Como vive o lisonjeiro
À custa de quem o atende.

Esta lição vale um queijo;
Tem destas para teu uso.
Rosna então consigo o corvo
Envergonhado e confuso:
- Velhaca, deixou-me em branco;
Fui tolo em fiar-me dela;
Mas este logro me livra
De cair noutra esparrela.


quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Sinergia...

Haverá coincidência?
Desperte d(a) in cons ciência...
Situe-se no Uni Verso...

Ligue-se na acontessência
Des.controle a situação
Saiba o verso e reverso ...

Proporção...necessidade
Disputa de energias
Controle de situações
Consciência do Ir... real

Saiba:
Sentir a Mãe-Natureza
Reviver a Infância
Conhecer o passado
Ligar-se no Cosmos...

Perceber o significado
Estar alerta e sonhar
Energizar-se na pureza ...

Compartilhar a Energia
Evoluir na Sinergia
E nunca se viciar ...

Desenvolver-se na Ética
Construir a própria Estética
Ser...Saber se Revelar...

Equilibrar-se na dança
Manter sempre a Esperança
No futuro se mirar...

Compreender o semelhante
Seguir firme...r.adiante
TranspareSer...Siluminar...

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Lótus e a rã

Era uma vez arvores e o sol a brilhar entre elas
Entre ramos o sol a brilhar
Era uma vez uma montanha
E um vale e um moinho
Era uma vez uma flor cujo pólen voou ao vento
Embalado no vento o pólen voou
Era uma vez uma praia
E uma duna e um barco
Era uma vez um charco onde uma rã chorou
Num nenúfar a rã chorou
E no charco o lótus elevou-se e floresceu
Elevou-se e floresceu no charco o lótus

Elevou-se e floresceu no charco o lótus
E no charco o lótus elevou-se e floresceu

Num nenúfar a rã chorou
Era uma vez um charco onde uma rã chorou
E uma duna e um barco

Era uma vez uma praia
Embalado no vento o pólen voou
Era uma vez uma flor cujo pólen voou ao vento
E um vale e um moinho
Era uma vez uma montanha
Entre os ramos o sol a brilhar
Era uma vez arvores e o sol a brilhar entre elas

sexta-feira, 15 de junho de 2007

A Evolução da Forma



Toda forma que vês
tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
permanece o original.

As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.

Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos
dois se detém?

A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.

Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti,
para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?

Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo; um punhado de pó
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.

Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne o mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman.

Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre Um; com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.


Jalal ud-Din Rumi
Poeta e místico sufi do século XIII(Poemas Místicos, Ed. Attar, 1996)